=> Sebastião Garcia
Há termos que não comportam mais o significado de tempos atrás. COLÔNIA é exemplo bem apropriado: antes queria dizer o estabelecimento de um grupo de pessoas de um país em outro, com vínculos constitucionais, administrativos e econômicos com a terra de origem. Foi o que aconteceu com o Brasil Colônia, quando para cá vieram os nossos colonizadores portugueses.
A partir da II Guerra Mundial mudaram o significado da palavra, mas já em 1865 o Canadá substituiu o termo por domínio, passando a indicar um território subordinado a um país mais desenvolvido nos aspectos político, cultural ou econômico.
Enfocando particularmente o sentido cultural da expressão, pode-se dizer que o Brasil continua colônia. Não de Portugal ou dos Estados Unidos, mas de uma nação interiorana que aos poucos - mineiramente - vai tomando conta de todos os nativos.
Caratinga, cidade encravada no leste mineiro, há mais de cinco décadas ostenta o título de município mais escolarizado do Estado. Tem escola para todos e só não estuda quem não quer. E foi graças à educação que o lugar deu origem a uma espécie rara e ameaçadora de gênios da cultura brasileira que hoje praticamente domina o País, ditando normas de comportamento econômico, social, político e artístico-cultural.
Dando nomes aos bois começamos por Ziraldo. Sujeitinho danado esse, sô! Principiou rabiscando as carteiras escolares, gastou todas as folhas dos cadernos, passou para as páginas dos livros, saiu de Caratinga, fincou pé no Rio e dali conquistou o mundo com suas charges, cartuns, revistas, livros, peças de teatro e cinema. Como boa e unida família, o irmão Zélio acompanhou-lhe os passos no paralelo das artes plásticas e galgou o posto de Secretário de Cultura de São Paulo! Caratinga gerou outros grandes gênios da arte gráfica: Vagn (Vagner Tadeu Horta), co-autor de Humor Nota 10; Mairynk (criador do mural Perereca da Vizinha, que toda semana era exibido no hall do Colégio Caratinga e do Cine Itaúna), Célio Hott, que não sei em qual universo impera, e também o Silvio Abreu, misto de editor, cartunista, escritor e jornalista., poeta, incentivador da cultura em tudo quanto é Esquina.
Agnaldo Timóteo, cantor de renome internacional, ex-deputado federal com dois mandatos nas costas e Vereador no Rio e em São Paulo, é outro digno e autêntico embaixador de Caratinga e onde quer que esteja grita o nome da cidade para que todos saibam a sua origem e porque é um vencedor.
E a Míriam Leitão? Essa moça atualmente no sistema Globo, expressa o mais inteligente, forte, equilibrado e coerente pensamento do jornalismo econômico, preanunciando as boas ou más notícias com tal sabedoria e precisão que os donos de bancos, ministros de estado e os Ermírio de Morais não dão um passo, não fazem uma ligação telefônica ou, sequer, beijam a mulher sem antes ouvirem o se comentário.
Na área dos transportes de passageiro e cargas temos a São Geraldo, nascida em Caratinga e que tem como proprietário e dirigente-mór Heloisio Lopes, também conterrâneo. Político de renome? Caratinga produziu mais de dúzia! Brilhantes exemplos atuais são o empresário e Senador José Alencar, o Deputado Federal Mauro Lopes e o Estadual Mauro Lobo. E eis um novo nome, a prometer ascensão imediata e crescente: Ernane Campos Porto.
Quer mais? Tudo bem. Rui (Barbosa de) Castro revelou-se gênio ainda aos 14 anos quando assistia aos filmes no Itaúna e publicava, no semanário O Caratinga, a crítica perfeita. Depois percorreu o Correio da Manhã, o Jornal do Brasil, a Rede Globo de Televisão e todas as revistas daqui e d’além-mar: foi editor de Seleções em Lisboa e atualmente encabeça a lista dos escritores mais lidos do Brasil.
No livro “De Caratinga à Grande Muralha” João Pena narra a brilhante trajetória desse outro jornalista que influenciou comportamentos em todo o País. Com o registro profissional de número 5 da nova Capital, onde se radicou nos anos 60, chegou à China e, recentemente falecido, deixa grande exemplo! Outro que rodou o mundo semeando sabedoria é o Alan Vigiano, escritor-pesquisador dos mais admirados, atualmente refugiado em uma das superquadras de Brasília, cuidando de editar “Cultura das Cidades”.
No Conselho Estadual de Educação de Minas pontifica Augusto Ferreira Neto e como se não bastasse, o Eurico Gade comanda a rede SISTEC - Sistema Caratinga de Comunicação e daqui a pouco - que ninguém duvide - estará mandando as imagens de Caratinga para o mundo através de rede SISTEC-TV. Porque já comandou a AMIRT e a ABERT-MG.
Com estes nomes os brasileiros têm razões suficientemente fortes para deixarem de lado o colonialismo americano e cobrarem mais escolas para as crianças. Porque essa presença de caratinguenses em todas as atividades brasileiras vem confirmar apenas uma coisa: a importância da escolaridade na vida das pessoas. Aqui não se conta somente a inteligência, o esforço e a dedicação dos profissionais citados, mas essencialmente os recursos educacionais que o Município e o Estado colocam à disposição das famílias. É a prova cabal de que educação é investimento absolutamente seguro e pedra fundamental do desenvolvimento.
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